Aqueles conselhos
Certos conselhos são extremamente desnecessários, mas a gente continua distribuindo eles por aí livremente. Que jogue o primeiro comentário sarcástico quem nunca falou um “cuidado pra atravessar essa rua”, “cuidado pra num cair nesse buraco”, “cuidado pra num cair dessa bicicleta, menino”, “se cuida”, “chegue direitinho em casa” entre tantos outros comentários óbvios e desnecessários do mesmo calibre.
Todo mundo sabe que tem que tomar cuidado pra atravessar a rua, eu espero que ninguém ande de bicicleta com a intenção de se espatifar com ela no chão, e também acho que todo mundo quer chegar em casa “direitinho” (seja lá o que direitinho queira dizer…). Mas esse tipo de conselho se dá porque acalma a quem diz. É só uma forma de mostrar que se preocupa com o outro. Provavelmente deve ser mais uma dessas formas inconscientes de dizer “eu gosto de você, então não se machuque”.
Então, jovens aprendizes, da próxima vez que sua jovem mamãe der um desses conselhos do tipo “Cuidado pra num cair dessa bicicleta, meu anjo de capacete”, não olhe com aquela cara de desprezo juvenil, simplesmente responda com um belo abraço de filho carinhoso e responda “Eu também gosto muita da senhora, mamãe. E também não quero que a senhora se machuque”.
Vejam só o quão mais agradável o mundo será quando todos espalharmos essa pequena, porém muito bonita, atitude de retribuição a esse tipo conselho.
O tal de Nietzsche
Hoje eu li um livro de Nietzsche, e pra ser bem sincero, preferia não ter lido. Quebrou a mística em torno do nome dele. Nietzsche é um daqueles autores que meio mundo de gente endeuza, mas que provavelmente nem metade leu mais que dois livros dele. Gente que não tem a coragem de viver de acordo com o que pensa, gente que de acordo com o próprio Nietzsche, “não merecem ser meus leitores, são apenas a humanidade”.
Eu acho que Nietzsche cai naquela roda de autores que os fãs acabam estragando a obra. O cara tem opinião forte, eu gosto disso. O cara tem muitos “fãs” que seguem a opinião dele por não ter opinião própria, eu não gosto disso.
Nietzsche tem um jeito direto de se expressar, o que ele quer dizer, ele diz de forma direta, que não deixe dúvidas sobre o que ele pensa. Isso é realmente admirável, eu gosto de escritores que evitam dar reviravolta, que não se prendem em detalhes desnecessários, que não tem opinião inofensiva sobre assuntos polêmicos. Resumindo, eu gosto de escritores sem frescura. Nietzsche é um deles. O problema é que eu esperava mais…
Eu sempre ouvi gente dizer que ele é surpreendente, que é chocante o jeito que ele se expressa e essas coisas todas… Com isso eu criei uma expectativa, “o cara deve ser fodão”, pensava eu inocentemente…
Depois de ler, eu acabei percebendo que eu realmente devo ser “fora do tom”. Que a galera anda com frescura demais. Que ninguém tem personalidade forte o suficiente pra saber que opinião de um cara, é só a opinião de um cara. Não precisa de estardalhaço porque um cara não gosta do cristianismo, casamento ou de mais um monte de coisa. Tem tanta gente que não gosta..
Só pra terminar, eu não tô nem aí pra quem ama ou odeia Nietszche, e não tô nem aí pro próprio Nietzsche nem pras opiniões dele. Só acho que a galera que é fã dele devia fazer o mesmo que ele e arrumar opiniões próprias.
Não se comportem como os “cristãos” tão criticados por ele.
Um daqueles que nem merecem título
Antigamente eu costumava ser mais preso a essas novidades tecnológicas inúteis de internet. Hoje em dia eu não sou mais tão ligado assim. Orkut perdeu o sentido, Twitter nunca me atraiu muito, Blog menos ainda…
Acho que é porque eu sou naturalmente não muito comunicativo. As coisas que acontecem comigo eu sempre gostei de deixar comigo. Só gosto de contar falando, pra ver a reação da pessoa na hora. Tipo conversa à moda antiga mesmo. Sem os emoticons, os risos bizonhos (hauhau, aushsa, ou rsrsrs), a espera pela resposta e tudo o mais que é digno de uma conversa de internet.
E pra mudar totalmente de assunto , faz um bom tempo que eu não vejo TV. Sinceramente não faz a menor falta…
Repassando…
(…)nas mentes das pessoas, a relação entre passado e futuro não aprende com a relação entre o passado e o passado que o antecedeu. Existe um ponto cego: quando pensamos no amanhã, não o enquadramos em termos do que pensamos ontem ou anteontem. Por causa desse defeito introspectivo deixamos de aprender sobre a diferença entre nossas previsões passadas e os resultados subseqüentes. Quando pensamos sobre o amanhã, simplesmente o projetamos como outro ontem.
Do livro: A lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb
